segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O que te incomoda?

Quando tomamos consciência de certas coisas na vida, muitas atitudes e pensamentos se tornam mais claros, o que nos permite enxergar de forma diferente os episódios cotidianos. Um desses insights são os clichês, que só fazem sentido na nossa cabeça quando realmente entendemos eles. O destaque de hoje é para: sabe aquele comportamento do outro que te incomoda e no fundo é um problema mal resolvido teu? 

Para explicar, vou fazer uma análise de caso envolvendo uma amiga (chamada C.), um aplicativo de relacionamento (chamado T.) e um namoro a distância.
A minha amiga conheceu um carinha que vou chamar de L. pelo aplicativo T. Ela é uma guria de espírito livre, que está tentando se encontrar e, já cansada desta capital, se mudou para outra capital porém praiera. Assim conseguiria tomar o fôlego que  é exigido antes de decidirmos o rumo de nossas vidas, pois cada um tem o seu tempo e a sua maneira para fazer isso. Até aí tudo bem, o dilema começa quando a C. conhece o L.  pelo app T.; L. mora na sua antiga cidade, mas o match ocorre na atual cidade de C. Alguns dias de trova os fazem perceber que se gostam, possuem coisas em comum e marcam de se encontrar na antiga cidade de C. E essa visita intensifica as coisas, fazendo-os perceber que estão apaixonados. L. propõe namoro à distância, C. conversa com os amigos pois gosta do guri, mas não sabe se deve abdicar de conhecer outras pessoas em prol dessa paixão repentina. C. acaba aceitando após chantagens de L. Se passam poucas semanas e C. me conta que terminaram, que L. surtou e não quis mais saber de relacionamentos a distância, deixando C. num primeiro momento chatiadíssima, sem entender e, pelo que me pareceu, com os sentimentos confusos.

Vou levantar alguns pontos importantes antes de justificar em qual parte dessa história toda o tal clichê se encaixa.

1) Porque duas pessoas que moram algumas horas de distancia se conhecem e decidem namorar? Com o que vi e vive claramente nota-se a necessidade das pessoas em acreditar no amor a primeira vista, no conto de fadas clássico.
Caramba, isso NÃO existe!
Paixão à primeira vista existe, que é um sentimento bem diferente. Paixão acaba, amor se constrói a cada dia.

2) Porque a pessoa diz que quer namorar à distância e depois, como veio, foi-se a vontade de continuar? Ora, do mesmo modo que tem gente esperando que o outro abdique toda sua vida e decisões em prol do "amor".
Caramba, isso NÃO existe!
L. esperou que C. fosse voltar pra sua antiga cidade por ele, percebeu que precisava de alguém fisicamente ao seu lado, não conseguiu levar essa situação como esperava e terminou com C.
Ando lendo sobre amores líquidos, sobre relacionamentos descartáveis, olha aí um nítido exemplo.

3) Porque C. uma jovem adulta, livre de enraizamento, que resolveu dar um tempo da família, amigos e compromissos cotidianos aceitou se comprometer com um guri que mal conhecia?
Tenho várias impressões sobre o que levou minha amiga C. a tomar essa decisão. Ela pode ter se sentido sozinha na nova cidade; ela pode ter tido a necessidade de compromisso; ela pode ter ficado carente não de sexo (pois é uma das pessoas que mais levanta a bandeira de sexo casual que conheço) mas de atenção, alguém que a escutasse e desse um feedback e compartilhasse aflições e emoções. Seja qual tenha sido o motivo da sua decisão ela acreditou que poderia funcionar. Fazer voto de fidelidade mesmo sem a presença física, existe tantos relacionamentos à distância, não é mesmo?!
Caramba, isso NÃO existe!
Tudo começou errado, desde a futilidade de um aplicativo que faz as pessoas se relacionarem por uma imagem, atrás de uma tela, até a existência de um compromisso firmado sem ao menos se conhecerem direito e em cima de promessas.

Então eu volto para o clichê. Toda essa história me deixou inquieta, incomodada, porque apesar dela não se tratar de mim eu já passei por isso, eu já fui tanto a C. quanto o L.
Hoje consigo pensar mais em como essas histórias de relacionamentos líquidos me perturbam do que julgar a escolha de quem as protagonizou.
Servem como mais um crescimento pessoal, já que eu não conseguia enxergar quando era eu quem estava sendo protagonista delas.

Obs.: No outro texto eu havia dito que nesse próximo iria falar sobre o ser, quem é, é! Mas não teve inspiração e essa frustração me ensinou duas coisas: não adianta forçar o que não existe no memento e não adianta criar títulos antes de de escrever o texto, pois ele pode tomar um rumo totalmente diferente.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

E nao é que ele não estava afim de mim?

Sim, aquela voz dizendo são coisas da tua cabeça estava certa.
Eu fantasiei demais -como sempre- uma relação que nunca existiu. Na verdade existiu, só que apenas na minha cabeça.

Vamos aos fatos (não necessariamente nessa ordem):
1) Ele (a quem darei o nome de J.) era muito simpático e agradável quando nos encontrávamos;
2) O maior beijo que já dei em J. foi a minha bochecha encostando na dele;
3) Quando ele falava comigo, ele olhava bem fundo nos meus olhos, isso me deixava com vergonha, parecia que ele estava lendo minha alma, lendo todas as histórias de amor imaginárias;
4) Era eu sempre quem puxava assunto inbox, J. sempre respondia muito querido, muito simpático -aquela coisa toda- mas era ele quem sempre encerrava o assunto;
5) Recebi de J. um convite para ir evento "x" no dia tal, cheguei, encontrei ele com os olhos caçadores que tenho, nao quis chegar junto tão cedo, esperei um pouco e quando vejo J. de novo, está no maior amasso com outra. #fail

Nesse momento foi preciso muita concentração para não cair no desespero do desanimo e ir pra casa correndo me entupir de doce. Estar entre amigos ajudou mais que qualquer chocolate do mundo. Eles são ótimos em responderem que não tem nada de errado contigo mesmo quando se tem certeza do contrário. Dependendo da sensibilidade amigo que aconselha nesse tipo de situação, poderia sair um mas vocês nem tinham ficado ainda! E não é esse tipo ds frase óbvia que precisava no momento.
Entender o porquê dessa chateação com uma situação que deveria ser tão insignificante me custo quase toda a festa e os ouvidos de pessoas mais que especiais.

Conclusões:
1) Em 1o lugar aprender a LER mais as pessoas e a FANTASIAR menos. Definitivamente meu feeling pros crush não funciona muito bem. E aquela maldita voz dentro de mim apontava pro pior. Sei que é impossível não criar exectativas na vida, porém quanto maiores elas são mais impossíveis se tornarão. Mais pessimista com as relações me tornarei. E isso não é bom, eu quero ser feliz e não uma pessoa que vive com medo de viver.
2) Falando em medo, desde a vez que tomei consciência que as vezes tememos tanto algo que acabamos por nos aproximar disso eu sempre lembro do pânico que tenho ser sozinha pra sempre, agora o medo é ver que cada vez mais estou me aproximando disso, não dando certo nos relacionamentos, sendo crítica demais, achando que ninguém me ama, que ninguém me quer;
3) Aí vem o gancho pra minha 3o conclusão que é o que as pessoas tem me falado, os amigos tem me falado, os vídeos, os sites, os psicólogos, até mesmo alguns filmes começaram a passar a mensagem eu que tenho que me amar, tenho que gostar de mim como sou, se eu nao tiver carinho por quem eu sou, se eu nao tiver respeito pela minha personalidade e não acreditar nas minhas ideias quem vai? Não tenho que apontar para alguém e começar a fantasiar uma vida inteira e esperar para ser ACEITA por essa pessoa, apostar todas as fichas, energia e tempo em um quase completo desconhecido!

Uma vez um amigo me disse algo e nunca mais saiu da minha cabeça quem é é! Não precisa provar ou mostrar nada pra ninguém.
Vou falar mais disso no próximo post, mas fica aqui a certeza de que o que eu preciso não é de alguém aceitando quem eu sou, o que eu mais preciso agora é eu me aceitar como sou e me amar por eu ser única e só minha :)